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Sexo e drogas, sem rock and roll
Se esqueces indigentes em seu próprio quintal e por ele passeias, sem muito entender. Quem sabe, encontras o que te faz mal ou bem e nas grades em que definhas, o teu mundo não se alarga. Nem o deles, os do quintal, nem a quadra, nem o canto, nem o ponto no sinal, nem os…
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Apontamentos no sótão
Apontamentos no sótão Passei a noite descobrindo coisas novas. Percorri o corredor imenso da casa, subi as escadas e parei no sótão. Como toda peça meio escondida, não passa de um buraco com teias de aranha. Queria achar um livro antigo, de meu pai, um tipo de atlas, mas que tenho certeza, além de mapas,…
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Margem estreita
Aos poucos, quase uma coisa dormente, de poucos pingos e respingos. Aos poucos, ondas de frio e chuva miúda, mas forte. Aos poucos, transito por entre as poças, a água latente molhando o tênis, o brilho aqui perto, nos pés, o esfumaçado lá longe, na neblina que avisto. Caminho por entre árvores, caminhos tortuosos, obscuros.…
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Faz-se um silêncio
Faz-se um silêncio lá fora. Parece que, de repente, o mundo parou. Nem um som humano, nem animal, nem de qualquer máquina. Faz-se um silêncio aqui dentro. Um batimento tranquilo, quase meditação. Nada há que incomode, que impressione, que agite. Faz-se um silêncio de água parada. Um rio que não corre, um mar que não…
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Não me chama
Não me chama, nem me ouve, se não te peço. Não procura, nem me espera, se não absorves a dor. Não chora, nem ora, nem suspira. Nada se empilha em traços desfigurados, em bocas obtusas, em olhares inadequados. Nada inspira a completude dos sentimentos, se não vislumbras por dentro, se não observas o íntimo, se…
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Mãe no jardim
Às vezes, lembro a velha janela de veneziana e postigos verdes. Observava os rodamoinhos, folhas que giravam numa agitação festiva e alguns sacos plásticos efetuavam rápidos vôos para mergulharem em seguida na calçada ou no meio do rua. O vento fustigava a janela. A tarde era melancólica. Minha mãe passeava entre as dálias, diversas begônias, umas…
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Um café bem-vindo
Um café é sempre bem-vindo. Por onde vou, por mais calor que esteja, estou sempre à procura de um café. Um café me anima a alma, me conforta, me liberta do mau humor. Um café me acorda, me deixa ágil para fazer os textos, para viajar (tanto na escrita, quanto na estrada real), um café…
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O albatroz e o voo interrompido
Às vezes, observo as aves sobrevoando a lagoa ou mesmo em voos rasantes nas dunas irregulares do Cassino. No céu, algumas em relevante altitude, mas todas com uma elegância que nos encanta e enche o coração de esperança. Lembro então da lenda do albatroz, que seguia o navio de Fernão de Magalhães, auxiliando-o na rota,…
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Folhas
Folhas caem lentamentePairam algumas, seguem devagar a correnteParecem sonhar e mergulham como plumas no ar Folhas caem lentamenteTrazem consigo olhares e nostalgiaTalvez de um passado recenteOu de uma vontade vazia Folhas caem lentamenteAproximam-se do chão e das raízesPesam na grama impunimenteOu se debatem em rodamoinhos, às vezes Folhas caem lentamenteTransformam a realidade mais bonitaNão importa…









