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Um café bem-vindo
Um café é sempre bem-vindo. Por onde vou, por mais calor que esteja, estou sempre à procura de um café. Um café me anima a alma, me conforta, me liberta do mau humor. Um café me acorda, me deixa ágil para fazer os textos, para viajar (tanto na escrita, quanto na estrada real), um café…
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O albatroz e o voo interrompido
Às vezes, observo as aves sobrevoando a lagoa ou mesmo em voos rasantes nas dunas irregulares do Cassino. No céu, algumas em relevante altitude, mas todas com uma elegância que nos encanta e enche o coração de esperança. Lembro então da lenda do albatroz, que seguia o navio de Fernão de Magalhães, auxiliando-o na rota,…
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Folhas
Folhas caem lentamentePairam algumas, seguem devagar a correnteParecem sonhar e mergulham como plumas no ar Folhas caem lentamenteTrazem consigo olhares e nostalgiaTalvez de um passado recenteOu de uma vontade vazia Folhas caem lentamenteAproximam-se do chão e das raízesPesam na grama impunimenteOu se debatem em rodamoinhos, às vezes Folhas caem lentamenteTransformam a realidade mais bonitaNão importa…
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Onde ficava a dor
Precisava sair e ver de perto aquelas crianças que sorriam, corriam por terrenos baldios, fingindo que eram campos de futebol e se perdiam alegres na experiência do sol. Então, me perguntei angustiado, onde ficava a dor? A dor dos que se consumiam em contas, em brigas rebuscadas, em tons alternativos de valentia e medo. Onde…
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O peso da liberdade
Sentia as madrugadas se espraiarem e a sensação de que a vida se alongava, ali, naqueles momentos fugazes. Nada havia para impor: a natureza se completava. A vida estava além das paredes de seu quarto. Estirava-se nas sombras encardidas dos muros mal pintados, nas sacadas fragmentadas, nas quais figuras se expunham assim, descomedidas e sem…
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A bomba e a aeromoça gaúcha
Meu amigo tinha por hábito externar qualquer pequeno problema que o acometesse. Às vezes, uma mudança abrupta no seu estado psíquico, como uma melancolia, uma vontade de se afastar de onde estava ou simplesmente um pequeno ruído que o incomodava. Via de regra, sabíamos que reagia com certo exagero às circunstâncias, mas respeitávamos o seu…
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Quando vemos?
Quando vemos? Há momentos em que é preciso parar, respirar, olhar sem filtro, sem visgo, sem rastro. Há momentos em que os passos quase se inspiram na brisa, se apequenam nos rodopios da areia, na poeira que sobe e brilha tão nítida, que quase percebemos os caminhos. Há momentos em que não se corre mais,…
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O covil
Saímos às escondidas, desviando dos pingos da chuva, batida intermitente na pele. Causava-me certo prazer, misturado ao temor desconhecido, de que alguma coisa não andava bem. Era frio e escuro e as ruas desertas, como se todos se refugiassem em suas casas, temerosos de uma investida agressiva, da qual não havia defesa. Apenas as palavras…
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De reputação ilibada
Quando a via pelas vitrines, sentia um certo frisson ao vê-la assim, tão bem vestida, geralmente de um vermelho vivo ou mesmo um cinza apagado, mas que por detrás daquelas cores, certamente havia grande conteúdo. Por vezes, tinha a esperança de que alguém a trouxesse até mim, mas era apenas sonho. No tempo, em que…









