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agora
Caminhei pelas mesmas ruas tão familiares, quase um quintal de casa. Nada que desperte muita atenção, a não ser o trânsito, às vezes intenso, que pede algum cuidado. Às vezes, um grupo mais homogêneo para desviar na calçada. Uma bicicleta desavisada, uma moto que dobra na esquina em alta velocidade, um ônibus que quase derrapa…
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As dores que sinto
As dores que sinto por certo não são maiores do que as tuas, nem mais fortes ou derradeiras. Não despertam convulsão, não mudam rumos, nem causam quaisquer transtornos nas visões periféricas de nossas órbitas sonâmbulas. Não passam de dores particulares, não fazem parte do coletivo. Talvez permaneçam profundas e enraizadas em meandros quase desconhecidos, mas…
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A civilização
Atravesso a rua rapidamente. Sinto brilhos no asfalto. Luzes de faróis distantes que aproveitam o sinal. Dou mais uns passos, subo o meio fio, a pedra azulada, fria e rugosa onde torço o pé, que parece descalço. Atravesso a calçada da praça, me embrenho entre sombras e luzes esparsas, folhas negras no chão, pequenas calçadas,…
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O olhar sobre a cidade
Quando a vejo assim, meio de longe, observo o sol que a acompanha, iluminando por vezes, as janelas que se abrem ao alto. Assim, majestosa, envolvente. Não olho as suas sacadas da frente, próxima à praça, nem seu interior valioso. Poderia falar de sua porta quase solene, que se abre lentamente, como num filme, revelando aos…
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A faina na brasa
Animais dão-se as mãos nas campinasverdes, que se espraiam olhar afora.Vozes que flutuam em zumbidos longínquosHomens se agrupam na prática eufórica. Quando eles chegam de mansinho, deixam os pastos repousar Deitam as arestas de seu sono e dormem em flores sem vicejar. Humanos acedem fogueirasPerpetuam fogos, parecem lutar por vitórias que chegam com os arreiose…
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Onde encontro a Páscoa?
Que vejo nas praças, nos parques, nas ruas, nas vielas empoeiradas, nos becos encardidos, na tristeza dos olhares, na fome revisitada, nos céus de abandono, no mar distante, nas ruas sem fim. Que vejo nas calçadas ardentes de outono, resquícios de dias quentes da estação passada? Que vejo de chinelos velhos em pés sujos, de…
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Então, me explica…
Nem sempre me lembro de ti. Nem sempre me pergunto, porque te foste tão cedo. Nem sempre me envolvo nas histórias que contavas. Nem sempre me enfrento te olhando no espelho. Um espelho que parece muito comigo. Um espelho onde te imagino às vezes, caminhando ao nosso lado pelas ruas quase desertas da cidade, no…
