calçada
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Nem sei
Nem sei o que procuro e se o faço, é de alguma forma despropositada. Quando o sol aparece, assim de mansinho, depois de uma enxurrada, tenho a impressão de que a vida recomeça. Mas não de todo. Algo se perdeu. Talvez na calçada, nas vielas embarradas, nos bueiros abertos, no desague lento da chuva. O…
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Os balões translúcidos
Observei os prédios antigos. Alguns deteriorados, quase em ruínas, outros com fachadas potentes, embora tivessem paredes desbotadas, tinta escorrida na umidade, fuligens velhas. Ar abandonado. Mas, por um momento, meus olhos se enveredaram nas frestas, como se um feixe da luz do sol entrasse por elas, iluminando determinados detalhes, clareando assoalho de madeira vermelha, investindo…
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Pai na bicicleta: uma acrobacia de alegria
Houve tempo em que te vi sorrindo, orgulhoso, satisfeito, encontrando nos filhos a certeza inabalável da vida, do se fazer pai e amigo. Houve tempo em que me puseste no colo e abriste a página do jornal, ensinando-me a ler. Ali conheci o valor das palavras, da leitura e mais ainda, o prazer de ser…
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Todos eram puros e inocentes no passado? Nem tanto!
Acho notável que as pessoas tenham boas lembranças e sintam saudade dos tempos de infância, entretanto, há coisas que não entendo. Não entendo quando afirmam com veemência que naquela época, tudo era maravilhoso, a ponto de haver uma uniformidade nos costumes, cujos cidadãos eram pessoas extremamente afáveis, solidárias e felizes. As crianças eram educadas, disciplinadas…