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O albatroz e o voo interrompido
Às vezes, observo as aves sobrevoando a lagoa ou mesmo em voos rasantes nas dunas irregulares do Cassino. No céu, algumas em relevante altitude, mas todas com uma elegância que nos encanta e enche o coração de esperança. Lembro então da lenda do albatroz, que seguia o navio de Fernão de Magalhães, auxiliando-o na rota,…
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Folhas
Folhas caem lentamentePairam algumas, seguem devagar a correnteParecem sonhar e mergulham como plumas no ar Folhas caem lentamenteTrazem consigo olhares e nostalgiaTalvez de um passado recenteOu de uma vontade vazia Folhas caem lentamenteAproximam-se do chão e das raízesPesam na grama impunimenteOu se debatem em rodamoinhos, às vezes Folhas caem lentamenteTransformam a realidade mais bonitaNão importa…
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A bomba e a aeromoça gaúcha
Meu amigo tinha por hábito externar qualquer pequeno problema que o acometesse. Às vezes, uma mudança abrupta no seu estado psíquico, como uma melancolia, uma vontade de se afastar de onde estava ou simplesmente um pequeno ruído que o incomodava. Via de regra, sabíamos que reagia com certo exagero às circunstâncias, mas respeitávamos o seu…
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Quando vemos?
Quando vemos? Há momentos em que é preciso parar, respirar, olhar sem filtro, sem visgo, sem rastro. Há momentos em que os passos quase se inspiram na brisa, se apequenam nos rodopios da areia, na poeira que sobe e brilha tão nítida, que quase percebemos os caminhos. Há momentos em que não se corre mais,…
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O covil
Saímos às escondidas, desviando dos pingos da chuva, batida intermitente na pele. Causava-me certo prazer, misturado ao temor desconhecido, de que alguma coisa não andava bem. Era frio e escuro e as ruas desertas, como se todos se refugiassem em suas casas, temerosos de uma investida agressiva, da qual não havia defesa. Apenas as palavras…
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De reputação ilibada
Quando a via pelas vitrines, sentia um certo frisson ao vê-la assim, tão bem vestida, geralmente de um vermelho vivo ou mesmo um cinza apagado, mas que por detrás daquelas cores, certamente havia grande conteúdo. Por vezes, tinha a esperança de que alguém a trouxesse até mim, mas era apenas sonho. No tempo, em que…
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Do outro lado do rio
Houve momentos em que pensei na ida. Não me refiro à ida às compras, ao médico, ao seminário, à biblioteca, ao museu, à beira do cais. Esta ida sempre tem a volta e por mais que se vá, sempre se observa um detalhe diferente, diverso do que se vê. É assim mesmo, é desta forma.…
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agora
Caminhei pelas mesmas ruas tão familiares, quase um quintal de casa. Nada que desperte muita atenção, a não ser o trânsito, às vezes intenso, que pede algum cuidado. Às vezes, um grupo mais homogêneo para desviar na calçada. Uma bicicleta desavisada, uma moto que dobra na esquina em alta velocidade, um ônibus que quase derrapa…
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As dores que sinto
As dores que sinto por certo não são maiores do que as tuas, nem mais fortes ou derradeiras. Não despertam convulsão, não mudam rumos, nem causam quaisquer transtornos nas visões periféricas de nossas órbitas sonâmbulas. Não passam de dores particulares, não fazem parte do coletivo. Talvez permaneçam profundas e enraizadas em meandros quase desconhecidos, mas…
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A civilização
Atravesso a rua rapidamente. Sinto brilhos no asfalto. Luzes de faróis distantes que aproveitam o sinal. Dou mais uns passos, subo o meio fio, a pedra azulada, fria e rugosa onde torço o pé, que parece descalço. Atravesso a calçada da praça, me embrenho entre sombras e luzes esparsas, folhas negras no chão, pequenas calçadas,…







