textosdogilson
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Dessolidões
Meu vizinho sofria de uma doença estranha. Foi ao médico, ao curandeiro, ao pastor, leu todos os livros de autoajuda, e nada. A tal da moléstia não o deixava em paz. Era um vazio no peito, uma fome de não sei o quê, um vagar assustado pela casa, um temor de qualquer coisa que não…
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As olimpíadas e as opiniões contraditórias
Há sete anos, “Chegou a nossa hora”, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Copenhague, na Dinamarca, ao defender diante do Comitê Olímpico Internacional (COI) a candidatura do Rio de Janeiro para sediar as Olimpíadas de 2016. Muitas pessoas refutaram o discurso como absurdo e que o País não teria condições…
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Momentos e encontros
Fonte da ilustração: Foto do amigo escritor, poeta e fotógrafo Wilson Rosa da Fonseca. Há momentos em que a multidão restringe os movimentos, os passos, os suspiros e outros em que a solidão prevalece em espaços vazios, produzindo estranhamentos em nossos mundos. Há momentos de abastança, festas eloquentes e climas de euforia. Outros de…
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A avalanche de sons
Um homem solitário começa a ouvir estranhos sons, em seu apartamento, como se viessem de seu mundo interior. Quando sai para a rua entretanto, os sons surgem numa avalanche de pessoas que vem das ruas. No café onde costuma fazer o desjejum, tudo está em absoluto silêncio. O que fazer? Ficar ali ou enfrentar o…
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Os números de 2015
Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2015 deste blog. Aqui está um resumo: Um bonde de São Francisco leva 60 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 890 vezes em 2015. Se fosse um bonde, eram precisas 15 viagens para as transportar. Clique aqui para ver o relatório…
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A palestra
Participei numa palestra e perturbado pelo atraso, derrubei vários objetos, interrompendo o palestrante. Percebi intimamente, que tudo conspirava para um final impressionante, do qual quisera fugir.
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Contar estrelas
Dou alguns passos em direção à porta. Lá fora, é tão íntimo quanto aqui. O quintal sombrio, as estrelas pontilhando o negrume do céu sem lua. Percorro as vielas estreitas, esgueirando-me entre os canteiros mal desenhados, com a cabeça para o alto. Sinto uma dor no pescoço, mas insisto na manobra radical. É bom ficar…
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Sorri
Quando passava rapidamente pelos sebos de revistas, livros e todas quinquilharias, gostava de procurar aqueles discos de vinil antigos principalmente os de coletâneas musicais. Às vezes, nem tão famosas, mas surpreendentes pela qualidade, embora ainda intactas nas caixas. Num desses passeios, percebia que as coisas mudavam de repente, que os vinis não me pareciam o…
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Registros
Não sou de guardar muitas coisas. Um texto aqui, um chaveiro ali, uma fotografia lá. Há coisas que não se guarda, na verdade, se resguarda do extravio. Há outras que nos parecem uma espécie de registro, uma lembrança de um acontecimento importante em nossas vidas, uma informação do passado, uma memória. Guardo alguns recortes que…