Espera

Espera,

não permitas ao abandono da primavera,

nem penses que o amor já foi embora.

Lembra: o inverno ainda volta,

e a tormenta  se transforme na revolta

dos descaminhos de nossa vida tão banal

Espera,

não  deixes que me perca em teus braços,

que sinta a ternura dos abraços,

sem ficar eternamente tão sozinho,

sobrevivente do naufrágio fatal

Espera,

que eu retome novamente o teu carinho

e me encontre por inteiro em teu ninho,

no regaço que me sinta acolhido

com afeto  e apego sem igual

Não deixes que eu transforme em poesia

O que seria além da maresia,

o conceito de viver a vida só.

Não deixes que as ondas calem nossos passos,

Que os dias se tornem breves e escassos

Que a história reduza a nossa voz.

Espera

Que eu alimente a alma dos desejos,

Que a vida seja mais do que almejo,

Que a realidade se torne meu farol.

Espera,

Não me deixes aqui, assim, tão sozinho

Nem me peças que eu acolha teu destino,

Que trilhas em paralelos caminhos.

Espera,

Que eu esqueça da festa e dos desejos,

Que a sorte se distraia noutros beijos,

Que a morte só condense os lamentos.

Me deixa,

me abandona ao tormento.

Há dias em que a vida se dissolve

no fundo das orgias tão estranhas,

descalabro de cores e sentimentos,

Na procura enfadonha dos amores.

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