Olhava o casario antigo que se desenhava lá longe, quase horizonte. Fui chegando devagar, observando mais perto, cada reentrância na parede desbotada, o limo se espalhando, ervas daninhas danificando as calçadas, o limite entre a vida lá fora e o decadente cá dentro. Uma coisa ficou, inexoravelmente, clara. A vida é sempre clandestina, cujas linguagens são construídas com o infinito das experiências. Como a serpente, que carrega sob sua pele, várias informações, desenhando uma gramática própria de comunicação, segundo a artista Merremii Karão Jaguaribaras em sua obra “Cordel do sonho alheio”. Há distintas expressões nas ruas, nas casas, em cada minúcia dos recantos mais ocultos, mostrando as sinuosidades e comunicando as histórias que se sucedem. Assim como na arte, a vida material e interior se entrelaçam e se comunicam.
Sonho alheio

Deixe um comentário