Sexo e drogas, sem rock and roll

Se esqueces indigentes em seu próprio quintal e por ele passeias, sem muito entender. Quem sabe, encontras o que te faz mal ou bem e nas grades em que definhas, o  teu mundo não se alarga. Nem o deles, os do quintal, nem a quadra, nem o canto, nem o ponto no sinal, nem os pés ensanguentados em feridas nas pedras das ruas. Que ruas? Onde andas e não vês? Onde encolhes a pupila e aumentas a neblina? Que quintal de trocas, de compras, de jogos, de vidas, de sexo e drogas, sem rock and roll? Só a ânsia amarga que satisfaz, zumbis que se alimentam da rotina que os une, como uma comunidade de desamparados. Sem acolhimento, sem compreensão, sem luta. Só uma bigorna em suas cabeças exigindo mais e mais. Mas tu que os observas e reprovas, tu que tens o poder sobre a vida e a morte, de qual quintal te afastas e o defines numa esquina da tua vida, bem longe, para não sentires o bafejo da lama que segrega teus pés? Quem sabe o quintal,  o teu próprio lar. A ti, inquilino do quintal, a  lei não te atinge, nem tudo é banal e simples, mas se sangras com as armas nefastas, pouco se vê e tudo parece tão normal e comum, como a vida que corre, comezinha, nos noticiários do dia. Se fogem de tua fuligem, tua fumaça, tua sujeira, tua alucinação, teu pó, teu crack, a Cracolândia é só o teu espaço, de onde és retirado pela lei, pelo homem de verde, pelo capacho do governo da metrópole. Que Deus te proteja. Não és preso comum, nem estatística pra compor os dados. Nem mesmo um número, serás.   

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