Não me chama, nem me ouve, se não te peço. Não procura, nem me espera, se não absorves a dor. Não chora, nem ora, nem suspira. Nada se empilha em traços desfigurados, em bocas obtusas, em olhares inadequados. Nada inspira a completude dos sentimentos, se não vislumbras por dentro, se não observas o íntimo, se não consomes a paixão. Pode ser que lá longe, muito longe, possas encontrar a paz no pulsar latente do óbvio, mas a plenitude da vida, só esbarras se abdicas do domínio, da austeridade, do equilíbrio. Só no caos, na perda, na confusão, no vulcão de teus impulsos, estarás bem perto da verdade. Porque a vida não é comum, mas intensa e cruel.

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