Quando vemos?
Há momentos em que é preciso parar, respirar, olhar sem filtro, sem visgo, sem rastro. Há momentos em que os passos quase se inspiram na brisa, se apequenam nos rodopios da areia, na poeira que sobe e brilha tão nítida, que quase percebemos os caminhos. Há momentos em que não se corre mais, nem se apropria dos desejos, das ações, dos agires, das procuras. Há momentos de paz ou de nada. Há só momentos. Neles, é preciso parar. Ou nem é preciso, acontece, ocorre, como verbos impessoais. Não há sujeito, não há um mestre, nem um líder. Não são necessários. E se parar, nestes momentos, é só esperar e ver. Às vezes, olhamos ao longe, nem vemos. Olhamos pra dentro, nem vemos. Olhamos para o mundo e nem vemos. Mas se nem olharmos, veremos tudo.

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