As dores que sinto

As dores que sinto por certo não são maiores do que as tuas, nem mais fortes ou derradeiras. Não despertam convulsão, não mudam rumos, nem causam quaisquer transtornos nas visões periféricas de nossas órbitas sonâmbulas. Não passam de dores particulares, não fazem parte do coletivo. Talvez permaneçam profundas e enraizadas em meandros quase desconhecidos, mas que de vez em quando, subvertem todas as regras, todas as leis e desafiam os sentimentos e as vontades. Mas o que fazer, se não esperar. Esperar que ultrapassem as sentinelas que insistem em guardar as cidades, estas soturnas, endurecidas e medievais, que se imaginam poderosas, fortes e inabaláveis. Que nada, qualquer sopro da natureza se dissolvem e não há poder maior que as impeça. A carapaça que as permeia não é forte como se imagina, os gatilhos são rápidos e certeiros e tudo desvanece e tomba. Nada fica em pé. Somente as dores. Mesmo aquelas mais íntimas, mesmo aquelas mais privadas, onde na sociedade não têm vez. 

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