Nem sei o que procuro e se o faço, é de alguma forma despropositada. Quando o sol aparece, assim de mansinho, depois de uma enxurrada, tenho a impressão de que a vida recomeça. Mas não de todo. Algo se perdeu. Talvez na calçada, nas vielas embarradas, nos bueiros abertos, no desague lento da chuva. O que sei é que o céu abranda e uma nuvem pequena e absorta é absorvida de algum modo pelo vento, que a distrai, fazendo-a desaparecer. Olho para o céu e observo a cor insólita, acinzentada, prenúncio da volta descabida da chuva. Nem sempre o recomeço é a volta da bonança.

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