A dúvida e as certezas

Quando a dúvida nos acolhe o mais profundo dos pensamentos, dos sentimentos, das buscas, das certezas, ocorre um debate, o qual nos deixa ansiosos e angustiados. Por isso, elas, as incertezas, que invadem nossas mentes e povoam nossas elucubrações, nos atormentam. Entretanto, por mais que não as desejamos e as evitamos, elas infestam, de algum modo, nossas convicções, alterando a nossa compreensão do mundo. Por outro lado, esse assenhorar-se de nossos pensamentos, nos permite, como legitimam alguns filósofos,  alcançarmos  a verdade, ou pelo menos atingir insights que nos permitam escolher caminhos. 

Nesta trajetória, não há como deixar de perceber, que nossas realidades são tão distintas; a minha realidade interna ou social difere constantemente da realidade coletiva, de meus amigos ou parentes, embora convivamos no mesmo ambiente. Mas até este é disperso e único, quando o habitamos ou o sentimos dentro de nossas expectativas e experiências. O ambiente se transmuta, de acordo com as nossas circunstâncias, nossas dúvidas, sonhos e percepções. Neste estágio, enfrentamos nossos próprios desafios. Tememos, muitas vezes, a mudança, o recomeço, os novos cenários. Mas devemos ousar e encarar o monstro do desconhecido. Para isso, é preciso que nos embasemos em  ferramentas que possibilitem avançar nestes desafios. Elas podem ser o contrapeso de nossa batalha inicial, deste novo recomeço. Via de regra, servem de escada para o patamar desejado. 

Mas voltando à dúvida. É bom ter dúvidas. A dúvida para Santo Agostinho, significava um passo obrigatório para alcançar a verdade. “Se duvida, vive; se duvida lembra-se do motivo de sua dúvida: se duvida, entende que duvida: se duvida, pensa, sabe que não sabe… Ainda que duvide de outras coisas não deve duvidar que duvida. Visto que se não existisse, seria impossível duvidar de alguma coisa.” 

Então, como duvidar de Santo Agostinho?  

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