Não fecha a porta. Deixa uma fresta, mesmo que o vento balance o quadro na parede, mesmo que o frio se intensifique, mesmo que o olhar se perca em raros caminhos. Pensa no teu olhar ávido por buscas, saídas e questionamentos. Pensa nos momentos em que ficaste assim, sem qualquer contato, como se usasses os óculos da apple que ainda nem lançaram. Às vezes, um recorte do céu basta. Um espaço entre teu interior e a imensidão externa. Não precisas de muito. Nem de multidões ou jardins grandiosos. Nem de pomares cobertos, nem de florestas intensas. Talvez apenas um pergolado te baste. Talvez uma saída, embora trôpega pelas calçadas ou aquele banco de praça que te segure um pouco, longe de tua vida interna e isolada. Precisas de convívio e aquela fresta da porta te favorece. Por ela, podes participar da vida que transcorre tão perto, mas não sejas apenas ouvinte, expectador ou curioso. Atravessa a porta e a vive, assim, tão íntima, que o vento que fustiga o quadro te envolva e te conduza ao encontro. Este, do qual, nunca deverias ter desertado.

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